domingo, 11 de outubro de 2015

Por um dia das crianças

A minha reflexão é de uma pessoa adulta e com certeza com conceitos ultrapassados. A principal recomendação aqui é encarar isso só como uma reflexão.

Está claro, para mim, que a melhor forma para alcançar a melhoria da qualidade de vida de um povo é através da educação de sua população mais jovem e das crianças, principalmente. A educação aqui não é apenas da escola, mas também a que vem dos pais. Eu costumo fazer uma analogia com uma muda de árvore plantada em um vazo. A escola tem o papel de nutrir a terra para que a criança possa ter a sua disposição os nutrientes que precisa e os pais o papel daquele suporte que se coloca ao lado do galho conforme o galho vai crescendo. É uma analogia para conhecimento e ética.

Entendo que é preciso investir nessa educação das crianças porque uma pessoa adulta ou mais velha dificilmente irá aprender algo novo ou mudar sua forma de pensar, rever seus conceitos. A teoria diz que as ideias que cultivamos por bastante tempo formam, em nossa cabeça, um escudo protetor automático e inconsciente que luta contra ideias diferentes.

A estratégia é de colocar mais esforço onde o resultado será mais eficaz. É claro que esse é um plano de longo prazo e para nossos tempos de ansiedade extrema é difícil de implantar. Infelizmente para nossos pequenos brasilianos nossa sociedade ainda não parece ter amadurecido o suficiente para entender essa estratégia. Sabemos que nossas escolas ainda usam modelos ultrapassados e sabemos que nós, como adultos resistentes a mudanças, temos lutado para manter esse modelo. É claro que estou generalizando e que existem boas iniciativas, mas eu percebo que é um privilégio de poucos.

Não é difícil de encontrar adultos que passam por esse desafio da mudança, seja através da família ou mesmo no seu trabalho. É difícil quebrar os preconceitos e até arriscaria dizer que, na maioria das vezes, esses preconceitos são apenas mascarados durante a transição para uma nova moral imposta por uma maioria mais jovem e com cabeça mais aberta. Como exemplo mais recente posso citar a transição de uma educação infantil a base de castigos físicos para a educação a base de diálogo e jogos psicológicos.

Se nós, como pais, somos esse anteparo moral e usarmos nossos preconceitos, ensinados por nossos pais, para nossos filhos, não podemos esperar que haja alguma evolução. Fazer isso seria deixar de manter as tradições. Isso pode incomodar, mas nós devemos ou não interferir nessas tradições se quisermos evoluir?

O outro lado é que existem estudos recentes que dizem que nosso cérebro é plástico, ou seja, feito para se moldar conforme nossas necessidades. Ele é mais maleável quando somos crianças e embora mais rígido quando adulto, é possível remodelar.

Ou seja, parece que não existe galho que nasce torto. Ele entorta se não tem o suporte para direcionar ao caminho certo. Direcionar nesse caso não é dar o conhecimento pronto e sim ensinar a conquista-lo. É uma analogia simplista e nem mesmo eu acredito completamente nisso, mas é uma base boa para direcionar um pensamento com maior chance de estar certo.

Sim, eu disse chance. Caso ainda não tenha tido contato com o final do século XX, estamos vivendo em um mundo de probabilidades. Certo e errado são termos complicados. Descobrimos comportamentos na natureza que indicam que a realidade não é tão fácil de entender como pensávamos. A certeza agora é incerta. Não somos capazes de alcançar a realidade como ela é e isso é bom.

Outra mudança social está no fato que a moral que era definida por região, por classe, por religião, por etnia, está cada vez mais frágil e os jovens humanos estão levando o mundo para outra era. Pensamentos restritivos como castas sociais, divisões por gênero e sociedades baseadas na dominação do homem sobre a mulher estão em cheque. Guerras estão ocorrendo por causa disso e cada vez essas mudanças ocorrem com mais rapidez. Eu tenho a sensação de que estamos bem no meio dessa transição e por isso tudo parece meio caótico. A minha sensação é que no final ficará melhor.

Tem outro aspecto que eu acho ser preciso refletir. É o aspecto emocional. Eu participei uma vez de um evento bacana em SP com várias palestras sobre um tema que era “O que o Brasil pode oferecer ao mundo?”. A conclusão final da organização depois das palestras, e que eu também concordei na maior parte, é que a gente poderia ensinar o mundo como sentir emoções, ou seja, contribuir com um dos fatores importantes para que as relações humanas sejam mais maleáveis e que haja mais resiliência. Embora seja um aspecto que não é compartilhado por todos, e eu sou um péssimo brasileiro se olhar por esse aspecto, nós temos uma cultura que tem uma carga emocional muito forte. Os símbolos que mais presentes são: o esporte, a música, a arte, o sexo e o tal “jeitinho”. Não que outras características não estejam presentes, mas existe certo orgulho nacional com esses valores.

Embora existam aspectos positivos e negativos nisso, é o que temos. É preciso que a gente aprenda a dosar para abrir espaço para outros valores. Nós precisamos ensinar nossas crianças sobre a existência de outros valores que estão presentes em outras culturas e que ajudaram a enriquecer seus povos. Esses valores são o da ética sem o jeitinho principalmente, da ciência, da matemática, da engenharia, da filosofia, da história e tantos outros campos do conhecimento humano. Temos que achar uma forma de valorizar isso sem perder, é claro, os aspectos positivos do lado emocional que já temos.
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